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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Os Polos Magnéticos da Terra Podem Inverter em Poucos Anos

Atualmente, um fenômeno desse tipo poderia causar estragos nas redes elétricas e aumentar as taxas de câncer.


Imagine que um dia você acorde e descubra que todas as bússolas apontam para o "Sul" em vez de "Norte". Parece algo impossível, mas não é. O campo magnético da Terra vem virando (embora claro, não aconteça da noite para o dia) muitas vezes na história do planeta. Seu campo magnético bipolar, como o de um imã, mantém aproximadamente a mesma intensidade durante milhões e milhões de anos, mas por razões desconhecidas, de vez em quando se debilita e muda de direção.

Até agora acreditava-se que esse processo levava alguns milhões de anos, mas um novo estudo realizado por uma equipe internacional de cientistas demonstra que a última inversão magnética registrada foi há 786.000 anos atrás, e não demorou muito para acontecer, ocorreu muito rapidamente (em menos de 100 anos, mais ou menos a expectativa de vida humana).

"Foi incrível a rapidez com que houve a inversão", disse Courtney Sprain, pesquisadora da Universidade da Califórnia, co-autora do estudo que será publicado na revista International Journal Geophysical e que pode ser encontrada na internet.

Câncer e redes elétricas

Novas evidências indicam que a intensidade do campo magnético da Terra está diminuindo 10 vezes mais rápido do que o normal, o que leva alguns geofísicos a prever uma mudança dentro de alguns milhares de anos. Apesar de uma inversão magnética ser um importante fenômeno na escala planetária impulsionada pelo núcleo de ferro e níquel da Terra, os cientistas asseguram que não há catástrofes associadas com inversões passadas que tenham "deixado suas marcas" nos registros geológicos e biológicos. Mas o mundo mudou. Hoje, um processo dessa grandeza poderia causar estragos nas nossas redes elétricas, gerando correntes que as destruiriam.

Tendo em mente que o campo magnético terrestre protege a vida das partículas carregadas do Sol e dos raios cósmicos, com quais em contato com a pela poderia causar mutações genéticas, a debilitação temporária ou perda do campo poderia aumentar as taxas de câncer.

Sedimentos Italianos

A nova descoberta é baseada na análise do alinhamento do campo magnético em camadas de sedimentos de lagos antigos, agora expostos na bacia Sulmona, Itália. Como os sedimentos do lago se depositaram em uma velocidade alta e constante durante um período de 10.000 anos, a equipe foi capaz de intercalar a data das depositações das camada que mostra a inversão magnética, a chamada Reversão Brunhes-Matuyama, há aproximadamente 786.000 anos. Essa data é muito mais precisa do que a de estudos anteriores, que colocam a inversão acontecendo entre 770.000 a 795.000 anos atrás.

"O que surpreende é que ele vai de uma polaridade inversa a um campo que é normal, com praticamente nada no meio, o que significa que teve ter acontecido muito rapidamente, provavelmente em menos de 100 anos", diz Paul Renne, professor de Berkeley, "Não sabemos se a próxima inversão será tão rápida quanto a última".

A nova descoberta pode ajudar os investigadores a entender como e por quê o campo magnético inverte de forma periódica.

fonte: uno.com.ar
data: 15/10/2014

terça-feira, 14 de outubro de 2014

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Copromancia

Por que Deus, o criador de tudo o que existe no Universo, ao dar existência ao ser humano, ao tirá-lo do Nada, destinou-o a defecar? Teria Deus, ao atribuir-nos essa irrevogável função de transformar em merda tudo o que comemos, revelado sua incapacidade de criar um ser perfeito? Ou sua vontade era essa, fazer-nos assim toscos? Ergo, a merda?

Não sei por que comecei a ter esse tipo de preocupação. Não era um homem religioso e sempre considerei Deus um mistério acima dos poderes humanos de compreensão, por isso ele pouco me interessava. O excremento, em geral, sempre me pareceu inútil e repugnante, a não ser, é claro, para os coprófilos e coprófagos, indivíduos raros dotados de extraordinárias anomalias obsessivas. Sim, sei que Freud afirmou que o excrementício está íntima e inseparavelmente ligado ao sexual, a posição da genitália — inter urinas et faeces — é um fator decisivo e imutável. Porém isso também não me interessava.

Mas o certo é que estava pensando em Deus e observando as minhas fezes no vaso sanitário. É engraçado, quando um assunto nos interessa, algo sobre ele a todo instante capta a nossa atenção, como o barulho do vaso sanitário do vizinho, cujo apartamento era contíguo ao meu, ou a notícia que encontrei, num canto de jornal, que normalmente me passaria despercebida, segundo a qual a Sotheby’s de Londres vendera em leilão uma coleção de dez latas com excrementos, obras de arte do artista conceitual italiano Piero Manzoni, morto em 1963. As peças haviam sido adquiridas por um colecionador privado, que dera o lance final de novecentos e quarenta mil dólares.

Não obstante minha reação inicial de repugnância, eu observava minhas fezes diariamente. Notei que o formato, a quantidade, a cor e o odor eram variáveis. Certa noite, tentei lembrar as várias formas que minhas fezes adquiriam depois de expelidas, mas não tive sucesso. Levantei, fui ao escritório, mas não consegui fazer desenhos precisos, a estrutura das fezes costuma ser fragmentária e multifacetada. Adquirem seu aspecto quando, devido a contrações rítmicas involuntárias dos músculos dos intestinos, o bolo alimentar passa do intestino delgado para o intestino grosso. Vários outros fatores também influem, como o tipo de alimento ingerido.

No dia seguinte comprei uma Polaroid. Com ela, fotografei diariamente as minhas fezes, usando um filme colorido. No fim de um mês, possuía um arquivo de sessenta e duas fotos — meus intestinos funcionam no mínimo duas vezes por dia —, que foram colocadas num álbum. Além das fotografias de meus bolos fecais, passei a acrescentar informações sobre coloração. As cores das fotos nunca são precisas. As entradas eram diárias.

Em pouco tempo sabia alguma coisa sobre as formas (repito, nunca eram exatamente as mesmas) que o excreto podia adquirir, mas aquilo não era suficiente para mim. Quis então colocar ao lado de cada porção a descrição do seu odor, que era também variável, mas não consegui. Kant estava certo ao classificar o olfato como um sentido secundário, devido a sua inefabilidade. Escrevi no Álbum, por exemplo, este texto referente ao odor de um bolo fecal espesso, marrom-escuro: odor opaco de verduras podres em geladeira fechada. O que era isso, odor opaco? A espessura do bolo me levara involuntariamente a sinonimizar: espesso- opaco? Que verduras? Brócolis? Eu parecia um enólogo descrevendo a fragrância de um vinho, mas na verdade fazia uma espécie de poesia nas minhas descrições olfativas. Sabemos que o odor das fezes é produzido por um composto orgânico de indol, igualmente encontrado no óleo de jasmim e no almíscar, e de escatol, que associa ainda mais o termo escatologia às fezes e à obscenidade. (Não confundir com outra palavra, homógrafa em nossa língua, mas de diferente etimologia grega, uma skatos, excremento, a outra éschatos, final, esta segunda escatologia possuindo uma acepção teológica que significa juízo final, morte, ressurreição, a doutrina do destino último do ser humano e do mundo.)

Faltava-me obter o peso das fezes e para tanto meus falazes sentidos seriam ainda menos competentes. Comprei uma balança de precisão e, após pesar durante um mês o produto dos dois movimentos diários dos meus intestinos, concluí que eliminava, num período de vinte e quatro horas, entre duzentos e oitenta e trezentos gramas de matéria fecal. Que coisa fantástica é o sistema digestivo, sua anatomia, os processos mecânicos e químicos da digestão, que começam na boca, passam pelo peristaltismo e sofrem os efeitos químicos das reações catalíticas e metabólicas. Todos sabem, mas não custa repetir, que fezes consistem em produtos alimentares não digeridos ou indigeríveis, mucos, celulose, sucos (biliares, pancreáticos e de outras glândulas digestivas), enzimas, leucócitos, células epiteliais, fragmentos celulares das paredes intestinais, sais minerais, água e um número grande de bactérias, além de outras substâncias. A maior presença é de bactérias. Os meus duzentos e oitenta gramas diários de fezes continham, em média, cem bilhões de bactérias de mais de setenta tipos diferentes. Mas o caráter físico e a composição química das fezes são influenciados, ainda que não exclusivamente, pela natureza dos alimentos que ingerimos. Uma dieta rica em celulose produz um excreto volumoso. O exame das fezes é muito importante nos diagnósticos definidores dos estados mórbidos, é um destacado instrumento da semiótica médica. Se somos o que comemos, como disse o filósofo, somos também o que defecamos. Deus fez a merda por alguma razão.


Esqueci-me de dizer que troquei o meu vaso sanitário, cuja bitola afunilada constringia as fezes, por um outro de fabricação estrangeira que teve de ser importado, uma peça com o fundo muito mais largo e mais raso, que não causava nenhuma interferência no formato do bolo fecal quando de sua queda após ser expelido, permitindo uma observação mais correta do seu feitio e disposição naturais. As fotos também eram mais fáceis de realizar e a retirada do bolo para ser pesado — a última etapa do processo — exigia menos trabalho.

Um dia, estava sentado na sala e notei sobre a mesa uma revista antiga, que devia estar num arquivo especial que tenho para as publicações com textos de minha autoria. Eu não me lembrava de tê-la retirado do arquivo, como fora aparecer em cima da mesa? Senti um certo mal-estar ao procurar o meu artigo. Era um ensaio que eu intitulara “Artes adivinhatórias”. Nele eu dizia, em suma, que astrologia, quiromancia & companhia não passavam de fraudes usadas por trapaceiros especializados em burlar a boa-fé de pessoas incautas. Para escrever o artigo, entrevistara vários desses indivíduos que ganhavam a vida prevendo o futuro e muitas vezes o passado das pessoas, através da observação de sinais variados. Além dos astros, havia os que baseavam sua presciência em cartas de baralho, linhas da mão, rugas da testa, cristais, conchas, caligrafia, água, fogo, fumaça, cinzas, vento, folhas de árvores. E cada uma dessas divinações possuía um nome específico, que a caracterizava. O primeiro que entrevistei, que praticava a geloscopia, dizia-se capaz de descobrir o caráter, os pensamentos e o futuro de uma pessoa pela maneira dela gargalhar, e me desafiou a dar uma risada. O último que entrevistei… 

Ah, o último que entrevistei… Morava numa casa na periferia do Rio, uma região pobre da zona rural. O que me levou a enfrentar as dificuldades de encontrá-lo foi o fato de ser ele o único da minha lista que praticava a arte da aruspicação, e eu estava curioso para saber que tipo de embuste era aquele. A casa, de alvenaria, de apenas um piso, ficava no meio de um quintal sombreado de árvores. Entrei por um portão em ruínas e tive que bater várias vezes na porta. Fui recebido por um homem velho, muito magro, de voz grave e triste. A casa era 
pobremente mobiliada, não se via nela um único aparelho eletrodoméstico. As artimanhas desse sujeito, pensei, não o estão ajudando muito. Como se tivesse lido os meus pensamentos ele resmungou, você não quer saber a verdade, sinto a perfídia em seu coração. Vencendo a minha surpresa respondi, só quero saber a verdade, confesso que tenho prevenções, mas procuro ser isento nos meus julgamentos. Ele me pegou pelo braço com sua mão descarnada. Venha, disse.

Fomos para os fundos do quintal. Havia no chão de terra batida alguns cercados, um contendo cabritos, outro aves, creio que patos e galinhas; e mais um, com coelhos. O velho entrou no cercado de cabritos, pegou um dos animais e levou-o para um círculo de cimento num dos cantos do quintal. Anoitecia. O velho acendeu uma lâmpada de querosene. Um enorme facão apareceu em sua mão. Com alguns golpes, não sei de onde tirou a força para fazer aquilo, cortou a cabeça do cabrito. Em seguida — detesto relembrar esses acontecimentos —, usando sua afiada lâmina, abriu uma profunda e larga cavidade no corpo do cabrito, deixando suas entranhas à mostra. Pôs a lâmpada de querosene ao lado, sobre uma poça de sangue, e ficou um longo tempo observando as vísceras do animal. Finalmente, olhou para mim e disse: a verdade é esta, uma pessoa muito próxima a você está prestes a morrer, veja, está tudo escrito aqui. Venci minha repugnância e olhei aquelas entranhas sangrentas. 

- Vejo um número oito.


- É esse o número - disse o velho.

Essa cena eu não incluí no meu artigo. E durante todos esses anos deixei-a esquecida num dos porões da minha mente. Mas hoje, ao ver a revista, rememorei, com a mesma dor que sentira na ocasião, o enterro da minha mãe. Era como se o cabrito estivesse estripado no meio da minha sala e eu contemplasse novamente o número oito nos intestinos do animal sacrificado. Minha mãe era a pessoa mais próxima de mim e morreu inesperadamente, oito dias depois da profecia funesta do velho arúspice.


A partir daquele momento em que desbloqueei da minha mente a lembrança do sinistro vaticínio da morte da minha mãe, comecei a procurar sinais proféticos nos desenhos que observava em minhas fezes. Toda leitura exige um vocabulário e evidentemente uma semiótica, sem isso o intérprete, por mais capaz e motivado que seja, não consegue trabalhar. Talvez o meu Álbum de fezes já fosse uma espécie de léxico, que eu criara inconscientemente para servir de base às interpretações que agora pretendia fazer.

Demorei algum tempo, para ser exato setecentos e cinquenta e cinco dias, mais de dois anos, para poder desenvolver meus poderes espirituais e livrar-me dos condicionamentos que me faziam perceber somente a realidade palpável e afinal interpretar aqueles sinais que as fezes me forneciam. Para lidar com símbolos e metáforas é preciso muita atenção e paciência. As fezes, posso afirmar, são um criptograma, e eu descobrira os seus códigos de decifração. Não vou detalhar aqui os métodos que utilizava, nem os aspectos semânticos e hermenêuticos do processo. Posso apenas dizer que o grau de especificidade da pergunta é fator ponderável. Consigo fazer perguntas prévias, antes de defecar, e interpretar depois os sinais buscando a minha resposta. Por outro lado, interrogações que podem ser elucidadas com uma simples negativa ou afirmativa facilitam o trabalho. Consegui prever, através desse tipo de indagação específica, o sucesso de um dos meus livros e o fracasso de outro. Mas às vezes eu nada indagava, e usava o método incondicional, que consiste em obter respostas sem fazer perguntas. Pude ler, nas minhas fezes, o presságio da morte de um governante; a previsão do desabamento de um prédio de apartamentos com inúmeras vítimas; o augúrio de uma guerra étnica. Mas não comentava o assunto com ninguém, pois certamente diriam que eu era um louco.

* * *

Há pouco mais de seis meses notei que mudara o ritmo das descargas da válvula do vaso sanitário do meu vizinho e logo descobri a razão. O apartamento fora vendido para uma jovem mulher, a quem encontrei, numa tarde ao chegar em casa, desanimada em frente à sua porta. Estava sem as chaves e não podia entrar. Eu me ofereci para entrar pela minha janela no seu apartamento, se a janela dela estivesse aberta, e abrir a porta. Isso exigiu de mim um pouco de contorcionismo, mas não foi difícil.

Ela me convidou para tomar um café. Seu nome era Anita. Passamos a nos visitar, gostávamos um do outro, morávamos sozinhos, nem eu nem ela tínhamos parentes no mundo, nossos interesses eram comuns e parecidas as opiniões que tínhamos sobre livros, filmes, peças de teatro. Ainda que ela fosse uma pessoa mística, jamais lhe falei dos meus poderes divinatórios, pois merda, entre nós, era um assunto tacitamente interdito, ela certamente não me deixaria ver as suas fezes; se um de nós fosse ao banheiro, tomava sempre o cuidado de pulverizar depois o local com um desodorante, colocado estrategicamente ao lado do lavatório.

Durante dez dias, antes de lhe declarar o meu amor, interpretei os sinais e decifrei as respostas que as minhas fezes davam à pergunta que fazia: se aquela seria a mulher da minha vida. A resposta era sempre afirmativa. Fui almoçar num restaurante com Anita. Como de hábito, ela demorou um longo tempo lendo o cardápio. Eu já disse que ela se considerava uma pessoa mística e que atribuía à comida um valor alegórico. Acreditava na existência de conhecimentos que só poderiam se tornar acessíveis por meio de percepções subjetivas. Como não tinha conhecimento dos dons que eu possuía, dizia que ao contrário dela eu apenas notava o que os meus sentidos me mostravam, e eles me davam apenas uma percepção grosseira das coisas. Afirmava que sua vitalidade, serenidade e alegria de viver resultavam da capacidade de harmonizar o mundo físico e espiritual através de experiências místicas que não me explicava quais eram pois eu não as entenderia. Quando lhe perguntei que papel desempenhavam nesse processo os exercícios aeróbicos, de alongamento e de musculação que ela fazia diariamente, Anita, depois de sorrir superiormente, afirmou que eu, como um monge da Idade Média, confundia misticismo com ascetismo. Na verdade, suas inclinações esotéricas aliadas à sua beleza — ela poderia ser usada como a ilustração da Princesa numa história de era-uma-vez — a tornavam ainda mais atraente.

Foi no restaurante que declarei o meu amor por Anita. Depois fomos para a minha casa.

Naquela noite fizemos amor pela primeira vez. Depois, durante nosso preguiçoso repouso, intercalado de palavras carinhosas, ela perguntou se eu tinha um dicionário de música, pois queria fazer uma consulta. Normalmente eu me levantaria da cama e iria apanhar o dicionário. Mas Anita, notando minha sonolência, causada pelo vinho que tomamos no jantar e pela saciação amorosa, disse que encontraria o dicionário, que eu permanecesse deitado.

Anita demorou a voltar para o quarto. Creio que até cochilei um pouco. Quando voltou, tinha o Álbum de fezes na mão.

O que é isto?, perguntou. Levantei-me da cama num pulo e tentei tirá-lo das suas mãos, explicando que não gostaria que lesse aquilo, pois ficaria chocada. Anita respondeu que já lera várias páginas e que achara engraçado. Pediu-me que explicasse em detalhes o que era e para que servia aquele dossiê.

Contei-lhe tudo e minha narrativa foi acompanhada atentamente por Anita, que amiúde consultava o Álbum que mantinha nas mãos. Para meu espanto, ela não só fez perguntas como discutiu comigo detalhes referentes às minhas interpretações. Falei-lhe da minha surpresa com a sua reação, mencionei o fato de ela ter detestado um dos meus livros, que tem uma história envolvendo fezes, e Anita respondeu que o motivo da sua aversão fora outro, o comportamento romântico machista do personagem masculino. Que aquilo tudo que lhe dizia a deixava feliz, pois indicava que eu era uma pessoa muito sensível. Aproveitei para dizer que gostaria de um dia ver as suas fezes, mas ela reagiu dizendo que nunca permitiria isso. Mas que não se incomodaria de ver as minhas.

Durante algum tempo observamos e analisamos as minhas fezes e discutimos a sua fenomenologia. Um dia, estávamos na casa de Anita e ela me chamou para ver suas fezes no vaso sanitário. Confesso que fiquei emocionado, senti o nosso amor fortalecido, a confiança entre os amantes tem esse efeito. Infelizmente o aparelho sanitário de Anita era do tal modelo alto e afunilado, e isso prejudicara a integridade das fezes que ela me mostrava, causando uma distorção exógena que tornara a massa ilegível. Expliquei isso para Anita, disse-lhe que para impedir que o problema voltasse a ocorrer ela teria que usar o meu vaso especial. Anita concordou e afirmou que ficara feliz ao contemplar as minhas fezes e que ao mostrar-me as suas se sentira mais livre, mais ligada a mim.

No dia seguinte, Anita defecou no meu banheiro. Suas fezes eram de uma extraordinária riqueza, várias peças em forma de bengalas ou báculos, simetricamente dispostas, lado a lado. Eu nunca vira fezes com desenho tão instigante. Então notei, horrorizado, que um dos bastonetes estava todo retorcido, formando o número oito, um oito igual ao que vira nas entranhas do cabrito sacrificado pelo arúspice, o augúrio da morte da minha mãe.

Anita, ao notar minha palidez, perguntou se eu estava me sentindo bem. Respondi que aquele desenho significava que alguém muito ligado a ela iria morrer. Anita duvidou, ou fingiu duvidar, do meu vaticínio. Contei-lhe a história da minha mãe, disse que havia sido de oito dias o prazo que transcorrera entre a revelação do arúspice e a morte dela.

Ninguém era tão próximo de Anita quanto eu. Marcado para morrer, eu tinha que me apressar, pois queria passar para ela os segredos da copromancia, palavra inexistente em todos os dicionários e que eu compusera com óbvios elementos gregos. Somente eu, criador solitário do seu código e da sua hermenêutica, possuía, no mundo, esse dom divinatório.

Amanhã será o oitavo dia. Estamos na cama, cansados. Acabei de perguntar a Anita se ela queria fazer amor. Ela respondeu que preferia ficar quieta ao meu lado, de mãos dadas, no escuro, ouvindo a minha respiração.


Rubem Fonseca

domingo, 20 de julho de 2014

OS SEGREDOS DA BÍBLIA - Perdidos na tradução

Aqui está a primeira parte sim do documentário do History: "OS SEGREDOS DA BÍBLIA - Perdidos na Tradução":


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Adeus ao Orkut

CHEGOU A HORA DE NOS DESPEDIRMOS DO ORKUT



Hoje, como quem não quer nada, abri meu outlook pra ver se tinha chegado algum e-mail interessante e olha com o que me deparei:



"Após dez anos de conversas e conexões sociais on-line, nós decidimos que é hora de começar a nos despedir do Orkut. Ao longo da última década, YouTube, Blogger e Google+ decolaram, com comunidades surgindo em todos os cantos do mundo. O crescimento dessas comunidades ultrapassou o do Orkut e, por isso, decidimos concentrar nossas energias e recursos para tornar essas outras plataformas sociais ainda mais incríveis para todos os usuários.
O Orkut não estará mais disponível após o dia 30 de Setembro de 2014. Até lá vamos manter o Orkut no ar, sem grandes mudanças, para que você possa lidar com a transição. Você pode exportar as informações do seu perfil, mensagens de comunidades e fotos usando o Google Takeout (disponível até setembro de 2016). Um arquivo com todas as comunidades públicas ficará disponível online a partir de 30 de Setembro de 2014. Se você não quiser que seu nome ou posts sejam incluídos no arquivo de comunidades, você pode remover o Orkut permanentemente da sua conta Google. Para mais detalhes, por favor, visite a Central de Ajuda.
Foram 10 anos inesquecíveis. Pedimos desculpas para aqueles de vocês que ainda utilizam o Orkut regularmente. Esperamos que vocês encontrem outras comunidades online para alimentar novas conversas e construir ainda mais conexões, na próxima década e muito além."

Parece que finalmente eles se tocaram que ninguém usa mais isso. Na época que usavam era bom, hoje em dia não. Só espero que o próximo que vá embora seja o facebook... que também está com os dias contados! Buahahahahahahaha!

terça-feira, 8 de julho de 2014

POÇÕES POTTERMORE

COMO FAZER A POÇÃO DO ESQUECIMENTO?

Causa perda de memória


INGREDIENTES:








- Água do rio Lete (4 galeões)







Bagas de Visco (1 galeão)







- Ramos de Valeriana (1 galeão)


Ingrediente Padrão (automaticamente fornecido aos alunos)



MODO DE PREPARO:


1. Adicione 2 gotas d'água do rio Lete no seu caldeirão
2. Aqueça suavemente por 20 segundos
3. Adicione 2 raminhos de valeriana no caldeirão
4. Mexa 3 vezes, no sentido horário
5. Toque na sua varinha
6. Deixe em infusão e retorne em 45 minutos.

7. Adicione 2 medidas do ingrediente padrão no pilão
8. Adicione 4 bagas de visco no pilão
9. Esmague até formar um pó mais ou menos fino
10. Dê 2 pitadas desse pó no caldeirão
11. Mexa 5 vezes, no sentido anti-horário
12. Toque na sua varinha para completar a poção

POÇÕES POTTERMORE

COMO FAZER CURA PARA FURÚNCULOS?

Cura furúnculos


INGREDIENTES:







Lesmas Chifrudas (1 galeão)





Espinho de Porco-espinho (2 galeões)







Presa de Cobra (2 galeões)





MODO DE PREPARO:


1. Adicione 6 presas de cobra no pilão
2. Esmague até formar um pó fino
3. Adicione 4 medidas do pó das presas de cobra no seu caldeirão
4. Aqueça a mistura a 250 durante 10 segundos
5. Toque na sua varinha
6. Deixe em infusão e retorne em 33 minutos

7. Adicione 4 lesmas chifrudas no seu caldeirão
8. Adicione 2 espinhos no caldeirão
9. Mexa 5 vezes, no sentido horário
10. Toque na sua varinha para completar a poção

POÇÕES POTTERMORE

COMO FAZER ANTÍDOTO PARA VENENOS COMUNS?

Neutraliza venenos

INGREDIENTES:




- Bezoar (10 galeões)





- Bagas de Visco (1 galeão)






Chifre de Unicórnio [prata] (21 galeões)




- Ingrediente Padrão (automaticamente fornecido aos alunos)






MODO DE PREPARO:


1. Adicione 1 bezoar no pilão
2. Triture até formar um pó muito fino
3. Adicione 4 medidas do pó de bezoar no seu caldeirão
4. Adicione 2 medidas do Ingrediente Padrão no seu caldeirão
5. Aqueça a um temperatura média por 5 segundos
6. Toque na sua varinha
7. Deixe em infusão e retorne em 85 minutos

8. Adicione uma pitada de chifre de unicórnio no seu caldeirão
9. Mexa duas vezes, no sentido horário
10. Adicione 2 bagas de visco no seu caldeirão
11. Mexa duas vezes, no sentido anti-horário
12. Toque na sua varinha para completar a poção

segunda-feira, 7 de julho de 2014

POÇÕES POTTERMORE

COMO FAZER HERBICIDA?

mata ou danifica plantas


INGREDIENTES:






- Muco de Verme (1 galeão)










- Suco de Cogumelo Horklump (3 galeões)











- Espinha de Peixe-leão (2 galeões)









- Ingrediente Padrão (automaticamente fornecido aos alunos)






MODO DE PREPARO:


1. Adicione 4 espinhas de peixe-leão no pilão
2. Esmague até formar um pó bruto
3. Adicione 2 medidas do ingrediente padrão
4. Esmague até formar um pó bruto
5. Adicione 3 medidas do pó bruto no seu caldeirão
6. Toque na sua varinha

7. Deixe cozinhando e volte em 45 minutos

8. Adicione 2 gotas do Suco de Cogumelo Horklump no seu caldeirão
9. Aqueça em temperatura média durante 10 segundos
10. Adicione 2 gotas de Muco de Verme no seu caldeirão, enquanto ele ainda está quente
11. Misture 4 vezes, no sentido horário
12. Toque na sua varinha para completar a poção

sábado, 18 de janeiro de 2014

Jim Kay, artista premiado, cria novo rosto para Harry Potter

Comunicado à imprensa - sexta-feria, 06 de Dezembro de 2013 - 9:00hrs

A Editora Bloomsbury anunciou hoje que todos os sete livros de Harry Potter (J.K. Rowling) serão publicados pela primeira vez em impressionantes edições coloridas, ilustrados pelo premiado Jim Kay. O primeiro da série, Harry Potter e a Pedra Filosofal, será publicado em setembro de 2015.

Jim Kay, vencedor da Medalha Kate Greenaway de 2012, irá ilustrar coloridamente todos os sete livros e desenhará uma nova capa, assim como as artes de dentro. Fã de Harry Potter durante toda sua vida, Jim Kay admite: "Do meu ponto de vista, é, sem dúvida o trabalho esperado durante toda a vida [...] desenhar os personagens, as vestimentas, as arquiteturas e as paisagens, do mundo mais amplo e fantástico da literatura infantil; bem, vamos dizer por enquanto que estou muito animado com isso. No entanto, também estou consciente da enorme responsabilidade que isso representa. Quero me certificar de fazer o melhor que puder."

Os livros de Harry Potter já venderam cerca de 450 milhões de cópias em todo o mundo e foram traduzidos para 74 idiomas. Harry Potter e a Pedra Filosofal foi recentemente eleito o livro infantil britânico favorito em uma votação da Caridade Booktrust.

A Bloomsbury está entrando em contato com toda as editoras internacionais de Harry Potter e espera fazer da publicação um evento global. Emma Hopkin, diretora da seção infantil da Bloomsbury disse em entrevista: "Jim é a combinação perfeita de um artista extremamente talentoso e um ardente fã de Harry Potter, que trará grande espírito para suas ilustrações do mundo extraordinário de J.K. Rowling."

Jim Kay ganhou a Medalha Kate Greenaway de 2012 por suas ilustrações em A Monster Calls (Um Monstro Chama, sem publicação no Brasil), de Patrick Ness. Jim estudou ilustração na Universidade de Westminster e desde a graduação trabalhou na revista Archives of Tate BritainRoyal Botanic Gardens, em Kew. Kim produziu conceitos de trabalho para a televisão e contribuição para uma exposição coletiva do museu V&A, em Londres. Ele agora vive e trabalha em Northamptonshire com seu parceiro e um galgo inglês resgatado.

J.K. Rowling foi uma das primeiras e serem eleitas para o BA Autor do Ano, e também ganhou o British Book Awards Author of the Year (Prêmio Literário Britânico de Autor do Ano). J.K. Rowling vive com sua família em Edimburgo.